Com "O Homem do Futuro", Brasil pode corrigir os erros do passado
Na semana assisti ao argentino “Um Conto Chinês” e quando saí da sala de cinema fiquei com aquele sentimento de derrota, sabe?! Tipo quando seu time sempre perde de lavada do seu maior rival.
Sempre achei, e sigo achando, que os “hermanos” fazem cinema como poucos. Já ganharam dois Oscars por duas pérolas: “A História Oficial” e recentemente “O Segredo dos Seus Olhos”. A gente, segue patinando quando o assunto é a Sétima Arte.
Mas quando assisti ao “O Homem do Futuro”, dirigido por Cláudio Torres, achei que estamos seguindo pelo caminho certo. Ainda que muito lentamente.
No filme, Wagner Moura (o bom moço do cinema nacional) vive Zero, um cientista amargurado que luta contra os fantasmas de uma noite que aconteceu há 20 anos. Foi nesse dia que Helena (Alinne Moraes), o grande amor da sua vida, o humilhou e acabou com as chances de que Zero acreditasse no amor verdadeiro.
Agora, o cientista busca descobrir uma fonte nova de energia e em uma experiência acaba criando um buraco negro no seu próprio destino. Assim ele retorna no dia em que sua vida mudou para sempre e decide fazer tudo diferente para que no futuro tudo saia do jeito que ele sempre sonhou.
A gente sabe que as coisas não funcionam bem assim. Outros filmes que tratam de viagens no tempo já nos mostraram que mudar aquilo que já foi não é lá uma boa idéia. E em “O Homem do Futuro” as coisas não são diferentes.
O bacana do filme é a forma como Cláudio Torres comanda toda essa aventura com pitadas de suspense e muita ficção científica. Ainda assim com muito romance no ar, o roteiro se sustenta e nos brinda com interpretações competentes de seus protagonistas.
Porém, a maior arma de “O Homem do Futuro” é mesmo a sua trilha sonora. Como boa parte do filme se passa no início dos anos 90, a música reflete bem a época vivida por seus personagens. Destaque para Wagner Moura interpretando “Creep” do Radiohead. Para quem não sabe, o ator tem uma banda em Salvador. Rola também um R.E.M (“Its the End of the World as We Know It” (and I Feel Fine) e INXS (“By My Side”).
Mas nada supera o hino de uma juventude, na minha modesta opinião. “Tempo Perdido” da Legião Urbana é uma das canções mais lindas que o rock brasileiro já criou. E ela cabe bem para essa história onde o tempo, o destino e a vontade de ser feliz é sempre pra ontem.
Saí do cinema com “Tempo Perdido” na cabeça e avaliando um pouco do cinema nacional. Diferente do protagonista Zero, não podemos voltar ao passado. Mas é possível olhar para o futuro e encontrar um cinema inteligente no Brasil. Tô cansada de ganhar de lavada desses argentinos!
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.