"Alice" ganha roupagem esquisita pelas mãos de Tim Burton
Em 1951, os estúdios Disney adaptaram os escritos de Lewis Carrol e mostraram ao grande público todo o mistério envolvendo “Alice no País das Maravilhas”. Naquela época o filme não foi lá muito bem aceito, tanto que foi o primeiro desenho do estúdio a ser exibido na TV.
Quase 60 anos depois, os mesmos estúdios decidiram dar uma nova roupagem à personagem que após seguir um coelho branco cai em um buraco e embarca em uma grande aventura. Dessa vez o escolhido para contar a história foi Tim Burton, diretor conhecido por uma filmografia pra lá de excêntrica. O resultado pode ser conferido nas telas de cinema do País a partir de hoje, em cópias 3D e convencionais, como quase tudo que anda sendo lançado ultimamente.
A história se passa cerca de dez anos após Alice (Mia Wasikowska) ter sua primeira incursão no País das Maravilhas. Agora ela é uma adolescente prestes a casar-se com um nobre que não tem muito a ver com ela. Durante sua festa de noivado ela vê novamente o coellho apressado e acaba no mundo subterrâneo. Por lá, ela vai encontrar figuras já conhecidas como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), a Rainha Vermelha (Helena Boham Carter), a lagarta (Alan Rickman) e o gato risonho (Stephen Fry), entre outros.
A “Alice” de Burton é um espetáculo visual incrível. Uma experiência única de como a direção de arte pode fazer a diferença em uma produção. Figurinos, personagens e cenários são praticamente perfeitos e muito criativos. O problema do longa é justamente a direção de Burton. O cineasta não consegue segurar as rédeas da história, e aos poucos “Alice” vai se tornando óbvio e sem graça. As cenas de ação no final da trama são desanimadoras. Não existe um climax. É tudo muito angelical, sem força e profundidade.
Outro sério problema de “Alice” é a própria Alice. Mia Wasikowska não consegue dar o tom certo para a personagem, que passa o filme inteiro com cara de menina mimada e sem expressão. O mesmo não pode-se dizer de Boham Carter. Ao dar vida a Rainha Vermelha ela é a melhor coisa em um filme com quase duas horas de duração. Ela é a responsável pela melhor caracterização (a cabeça é realmente enorme) e diálogos. E pensar que ainda a veremos esse ano em “Harry Potter e as Relíquias da Morte” como a comensal Belatriz.
No fim das contas “Alice” é divertido e cheio de fantasia. Se você tem grandes expectativas para o longa, cuidado. Mas se procura apenas um bom programa para o final de semana, vá tranquilo. Pena que no final da projeção fica aquele sentimento que a gente esperava mais. Afinal, Burton nos faz seguir o coelho, nos atira no buraco mas não faz da nossa viagem algo inesquecível.
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.