Viola Davis merecia o Oscar por "Histórias Cruzadas"
Até o dia 26 de fevereiro, quando a Academia divulga os melhores do ano, vamos falar um pouco de cada um dos 9 indicados ao prêmio mais disputado da noite, o de Melhor Filme. Hoje, vamos falar de “Histórias Cruzadas", que concorre em 4 categorias.
Nos dias de hoje é difícil imaginar que nos anos 60, nos Estados Unidos, o negro não tinha quase direito nenhum. A segregação racial, principalmente em estados como o Mississipi, deixou feridas que ainda não cicatrizaram na sociedade americana. E talvez nem devam, já que só aprendendo com os erros do passado é que podemos melhorar o nosso presente e não errar novamente no futuro.
É nessa temática que toca “Histórias Cruzadas” o indicado ao Oscar que levou mais pessoas aos cinemas americanos. O filme é baseado em um livro que também foi sucesso de vendas por lá, “The Help”, e conta o ponto de vida de empregas domésticas negras e sua rotina com as patroas brancas, e preconceituosas.
Para ajudar essas mulheres surge a jovem Skeeter, uma garota que não sonha em casar e ter filhos, mas sim com uma carreira no jornalismo, algo não muito comum para a época. Caberá a ela a tarefa de contar as histórias vivenciadas por essas mulheres que criam os filhos das patroas brancas, mas são obrigadas a usarem um banheiro fora da residência. Afinal, como diz a “vilã” do filme: “os negros possuem doenças diferentes das nossas.”
O elenco, composto na sua maioria por mulheres, é a grande arma de “Histórias Cruzadas”. É nele que o filme se sustenta, principalmente na interpretação da ótima Viola Davis como a empregada que perde o filho de maneira brutal. A atriz é uma das favoritas ao Oscar já que faturou o prêmio do sindicato. Não vou me surpreender se ela vencer Meryl Streep e sua Margareth Tatcher. O trabalho de Viola não tem truques de maquiagem e nem o poder de Streep em “A Dama de Ferro”, mas “Histórias Cruzadas” perderia muito sem a sua protagonista.
Fora o elenco o filme é razoável. Com clichês meio óbvios (a vilã e a mocinha rivalizando) e uma passagem totalmente dispensável que conta com uma torta de chocolate. Juro que não precisava disso!
Mas recomendo sim “Histórias Cruzadas”. O filme não leva o Oscar, mas nos leva a uma análise sobre preconceito, sobre como há poucos anos os negros eram tratados e como a nossa sociedade ainda tem tanto para melhorar. Sempre é bom revisitar o passado. Mesmo que ele seja doloroso.
Cotação: Bom
Indicações: Melhor Filme Melhor Atriz (Viola Davis) Melhor Atriz Coadjuvante (Jessia Chastian) Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.