"Tão Forte e Tão Perto" tem a criança mais chata da história do cinema
Até o dia 26 de fevereiro, quando a Academia divulga os melhores do ano, vamos falar um pouco de cada um dos 9 indicados ao prêmio mais disputado da noite, o de Melhor Filme. Hoje, vamos falar de “Tão Forte e Tão Perto", que concorre em 2 categorias.
Quando “Tão Forte e Tão Perto” apareceu entre os indicados ao Oscar não entendi o motivo de tanta rinha da crítica americana. Afinal, o filme tinha Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco e contava uma história que se passa logo após os atentados de 11 de setembro. Tinha tudo para ser um sucesso, mas foi um fracasso. E depois de assistir ao filme entendi exatamente o motivo.
“Tão Forte e Tão Perto” engana o espectador. Isso mesmo! Você vê o trailer com Hanks, Bullock, uma tragédia familiar e um menino de olhos azuis andando por Nova York pós 11 de setembro ao som de “Where Streets Have No Name”. É perfeito! Mas é mentiroso. O filme não é assim, não tem a aura do trailer.
Oskar, o menino lindo do trailer, é a criança mais chata da história do cinema. Sério, ele é insuportável demais. Cheio de manias, mimado, mal educado. E não adianta dizer que ele perdeu o pai nos atentados porque ele já era uma mala antes disso.
Bom, após a morte do pai ele encontra uma chave que ele acredita, esconde uma mensagem deixada por seu pai, que sempre o incentivava a buscar aventuras e nunca desistir de seus sonhos.
Aí Oskar embarca numa aventura onde vai encontrar várias pessoas que vão mostrar para ele o verdadeiro significado da vida (nada de novo até aqui). O que vale mesmo o ingresso é a interpretação de Max Von Sydow que faz um personagem enigmático (nem tanto assim) e mudo. Há pouco não via diálogos tão comoventes em pedaços de papel. Acho que desde “Pequena Miss Sunshine”
Hollywwod ainda não fez um filme que homenageie de forma grandiosa e merecida as vítimas do atentado de 2001 ("Voo 93 é o único exemplo que me lembro). “Tão Forte e Tão Perto” deve fazer sucesso em um determinado tipo de público que gosta de histórias onde o personagem descobre que tudo que ele buscava estava bem na sua frente. Mas é raso, pouco eficiente e não deveria estar entre os indicados. Só não é pior que “Cavalo de Guerra”.
Cotação: Razoável
Indicações: Melhor Filme Melhor Ator Coadjuvante (Max Von Sydow)
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.