Até o dia 26 de fevereiro, quando a Academia divulga os melhores do ano, vamos falar um pouco de cada um dos 9 indicados ao prêmio mais disputado da noite, o de Melhor Filme. Hoje, vamos falar de “A Invenção de Hugo Cabret", que concorre em 11 categorias.
Após sair da sessão de “A Invenção de Hugo Cabret” em 3D soube o motivo pelo qual sou apaixonada pela Sétima Arte. O filme de Scorsese é uma homenagem tocante ao cinema, aos seus realizadores, aos seus apaixonados e ao grande George Méliès, considerado por muitos o inventor dos efeitos especiais, isso lá em meados de 1900.
Scorsese faz essa homenagem cheia de conteúdo e magia de uma forma muito sincera, contando a história do pequeno Hugo Cabret. Órfão, o menino vive em uma estação de trem em Paris onde acerta os relógios pontualmente para que os trens e as pessoas não se atrasem. Na busca de consertar um autômato deixado por seu pai, ele conhece o dono de uma loja de brinquedos que esconde um grande segredo.
“Hugo Cabret” tem lindos cenários, feitos para serem absorvidos pelo 3D. Por isso, assistir o filme com os óculos é quase uma obrigação. Não existe nada sendo jogado na cara do espectador, muito pelo contrário. O diretor utiliza a tecnologia para dar ainda mais realismo aos filmes de Méliès, cheio de técnicas rudimentares, mas pra lá de criativas.
Quem é apaixonado por cinema pode até derramar algumas lágrimas (eu derramei) e sorrir quando a história nos leva a uma certeza: o cinema é mesmo uma fábrica de sonhos. É lá que eles se tornam realidade. É dentro da sala de projeção que tudo pode acontecer, onde a magia não tem limites, nem a nossa imaginação.
Assim como “O Artista”, “Hugo Cabret” é uma homenagem à Sétima Arte, mas de uma forma diferente. O primeiro reverencia o cinema mudo e como cada tecnologia pode transformar a indústria cinematográfica, dizimando pessoas que não se adaptam. Já o filme de Scorsese vai mais longe. Mostra que quando foi criado o cinema não tinha um objetivo e que com o tempo, e com pessoas visionárias como Méliès ele tornou-se o que conhecemos hoje. Essa fábrica, cheia de roldanas, pinos e catracas como os relógios que Hugo concerta, mas que quando bem alinhados nos levam ao lugar certo!
Ainda acho que “O Artista” leva o prêmio dia 26, mas ficaria com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos se a Academia reconhecesse o lindo trabalho desse visionário que Scorsese se tornou ao longo dos anos.
P.S.: O diretor faz uma pequena participação no longa!
Cotação: Excelente
Indicações: Melhor Filme Melhor Diretor: Martin Scorsese Melhor Roteiro Adaptado Melhor Trilha Sonora Melhor Efeitos Especiais Melhor Edição de Som Melhor Mixagem de Som Melhor Direção de Arte Melhor Fotografia Melhor Figurino Melhor Edição
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.