Até o dia 26 de fevereiro, quando a Academia divulga os melhores do ano, vamos falar um pouco de cada um dos 9 indicados ao prêmio mais disputado da noite, o de Melhor Filme. Hoje, vamos falar de “O Artista" que concorre em 10 categorias.
O que leva um cineasta a fazer um filme mudo e preto e branco em plena a era do 3D e todos os avanços tecnológicos dos dias de hoje? Depois de assistir “O Artista” eu entendi perfeitamente o motivo. Michel Hazanavicius traz ao público uma história tocante, cheia de referências a clássicos do cinema e de quebra ainda dá um tapa de luvas na indústria.
A trama se passa na Hollywood de 1927 quando o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin, favorito ao Oscar) começa a temer a chegada do cinema falado. Aos poucos ele vai perdendo espaço para os novos astros e seus filmes rendem cada vez menos. Ao mesmo tempo Peppy Miller (Berenice Bejo, esposa do diretor) ganha espaço nessa nova onda tornando-se uma grande estrela. A vida dos dois se cruza e uma grande atração acontece.
O filme concorre a 10 prêmios na noite do dia 26 e deve faturar pelo menos dois: o de Melhor Filme e o de Melhor Diretor. Você pode pensar que a Academia vai dar um passo para trás ao premiar um filme mudo, todo em preto e branco que se passa nos anos 20, ainda mais quando o Oscar perde com o pouco Ibope a cada ano. Mas já penso diferente. “O Artista” passa uma mensagem muito futurista, de como precisamos nos adaptar para não sermos engolidos pela novidade.
E talvez esse seja o maior trunfo do filme: mostrar com poucos recursos um filme que fala do futuro, mas com os olhos no passado. E por sinal, os olhos cheios de referências a clássicos como “Cantando na Chuva” e “Cidadão Kane” (o meu filme preferido) e a famosa cena do café-da-manhã.
Cotação: Ótimo
Indicações: Melhor Filme Melhor Diretor (Michel Hazanavicius) Melhor Ator (Jean Dujardin) Melhor Atriz Coadjuvante (Berenice Bejo) Melhor Roteiro Original Melhor Trilha Sonora Melhor Direção de Arte Melhor Fotografia Melhor Edição
Vitoria Oliveira21/2/2012 - 01:29 Concordo plenamente. Arriscar voltar aos primórdios do cinema pode ser considerado sim uma novidade. Eu gosto muito da producao e Jean Dujardin e a minha aposta a vencedor do Oscar.
Gisele Santos é jornalista e cinéfila de carteirinha. Seu filme preferido é "Cidadão Kane", mas na sua coleção figuram "Harry Potter", "Blade Runner" e "Laranja Mecânica". Aqui ela vai comentar, criticar e elogiar tudo de bom (e de ruim) que está estreando nos cinemas.