26/08 - 10:06 - O Procurado é uma mistura de outros filmes
Maurício Carvalho
O que dá a mistura das boas idéias de “Matrix”, “Clube da Luta”, “O Nome da Rosa” e “O Código Da Vinci”? Resulta em “O Procurado”, filme de ação ininterrupta sem nenhuma ligação com a realidade que vai agradar quem gosta de montagem ultra-rápida e tiros para todos os lados. A estréia em Hollywood de Timur Bekmambetov, da dobradinha “Guardiões da Noite” e “Guardiões do Dia” faz milagre com um roteiro limitado, mas que se salva graças à ótima interpretação de James McAvory (“Desejo e Reparação”, “O Último Rei da Escócia”). Essa é mais uma adaptação dos quadrinhos, agora da obra “Wanted”, de Mark Millar e J.G. Jones, ainda inédita no Brasil, o que nos dificulta a comparação com o original.
Aliás, McAvory é o respiro em uma produção sobrecarregada de efeitos e violência. A sua interpretação de Wesley Gibson é ótima. Logo de cara somos apresentados a esse verdadeiro perdedor, preso em uma vida medíocre em que é espizinhado pela chefe limitada e ainda não tem coragem de dar um basta ao caso da namorada com seu colega de serviço.
Mas tudo muda de repente quando Wesley descobre que o pai é o agente mais talentoso da Fraternidade, um clã milenar de assassinos que está sendo abatido por um membro que se desligou do grupo. Como uma espécie de Neo, de Matrix, o loser é o escolhido. Recrutado pela misteriosa Fox (Angelina Jolie) durante um tiroteio, Wesley é apresentado ao chefão Sloan (Morgan Freeman), que pretende transformá-lo em uma perigosa arma humana.
Aos poucos, Wesley vai ganhando força e novas habilidades, enquanto descobre os objetivos e formas de trabalho da Fraternidade, que pode não ser tão nobre como ele imagina. O filme tem algumas guinadas, várias previsíveis, mas mantém a atenção. O problema é que os papéis de Angelina e Morgan são limitados e repetem atuações dos astros em filmes anteriores. Angelina é a misteriosa e perigosa (que já fez em “Tomb Raider” e “Sr. e Sra. Smith” e Freeman ganha aquele ar de sabe-tudo que já vimos em “Seven”, “Todo-Poderoso” e “Cavaleiro das Trevas”.
O filme deixa espaço para uma continuação e a boa repercussão deve garantir a parte 2. Desde que mantenha o diretor, que soube usar a velocidade para dar um ritmo empolgante para o filme, e que invista em um roteiro mais original e interessante, pode criar uma franquia de qualidade e sucesso. E talvez com mais toques de originalidade.
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