10/09 - 14:21 - Uma mistura de ação, humor e fantasia na medida certa
Maurício Carvalho
“Hellboy 2” é um filme de herói diferente. O roteiro não trata os personagens como seres com uma visão dura e única, a ação é muito interessante mas intercalada com momentos hilários e os protagonistas podem exibir suas falhas e carências sem perder a identidade com o espectador. Em tudo isso o diretor mexicano Guillermo Del Toro acerta a mão, apresentando um filme de herói para competir com “Cavaleiro das Trevas” e “Homem-de-Ferro” pelo título de melhor do ano.
Del Toro aproveitou para fazer de “Hellboy 2” mais um filme com sua assinatura inequívoca. Os personagens parecem ter saído da prancheta de criação de “O Labirinto do Fauno”. Tanto que o criador Mike Mignola, responsável também pelo roteiro e produção, disse que em alguns momentos não chegou a reconhecer seus personagens na telona. E o diretor aproveita para preparar o público para o seu próximo projeto, “O Hobbit”, o prólogo da saga “O Senhor dos Anéis”, incluindo vários personagens da mitologia Tolkieniana, como elfos, trolls e goblins.
E isso só adiciona qualidade ao filme. Sem a participação de Rupert Evans (o agente John Myers) e uma aparição curta de John Hurt (o professor Buttenholm, pai de Hellboy, apenas na abertura), a produção fecha as lacunas com novos personagens e um foco mais humano nas criaturas do outro mundo. Assim, elas sofrem de amor, erram nas decisões e têm grandes dúvidas sobre o seu lugar ao lado dos humanos.
Está certo que o filme erra em alguns pontos. A ambientação do mercado troll se aproxima perigosamente do mundo “Star Wars” em alguns momentos e o novo Johann Krauss é meio chato (parecendo o Jar Jar Binks da produção, já que falamos da saga de George Lucas), arrastando a trama e não contribuindo muito. Mas algo que fica em segundo plano com as boas batalhas e andamento do roteiro.
O filme apresenta uma divisão bem clara entre o mundo dos humanos e dos espíritos. Durante séculos, os dois povos lutaram pela soberania. O rei do mundo sobrenatural então encomendou um exército dourado, com soldados indestrutíveis, que quase dizimou os homens. Arrependido, ele decretou a paz e enviou seus soldados ao exílio. Coisa que seu filho, o Príncipe Nuada (Luke Goss, foto) não concorda. Por anos ele arquitetou um plano para se apoderar da coroa do pai e dar vida ao exército.
E quando entra em ação, a única esperança dos humanos é a equipe formada por Hellboy (Ron Perlman), Abe Sapien (Doug Jones) e Liz (Selma Blair). O trio sai em investigação e atravessa os dois mundos atrás de explicações. Problemas físicos e morais, paixão, responsabilidade e muita pancadaria se intervêm, recheando as duas horas de exibição com uma ótima história, que termina com a deixa para a parte 3, como se era de esperar.
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