08/10 - 10:27 - Ação e trama intrincada em “Controle Absoluto”
Maurício Carvalho
Um filme que vem com a grife Steven Spielberg normalmente ganha respeito logo de saída. Apesar do cineasta apenas assinar a produção executiva, deixando a direção para D.J. Caruso (“Paranóia”), “Controle Absoluto” é um projeto que nasceu de sua cabeça há quase 20 anos, mas que ele deixou engavetado até que a tecnologia desse verossimilhança ao roteiro intrincado e cheio de conotações hi-tech com altas doses de conspiração e ação (desculpe a rima pobre).
Mas não espere ver algo completamente novo. As idéias principais de “Controle Absoluto” já foram vistas em filmes clássicos como “1984”, “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e “A Conversação”. Mas isso não é um demérito. Pelo contrário, ao modernizar os conceitos dessas obras, os produtores apresentam um filme que agrada vários espectadores, desde os que adoram uma ação desenfreada aos que colam na cadeira e tentam montar o quebra-cabeça de informações que é apresentado. E, no caso de “Controle Absoluto”, o novo verniz funciona muito bem.
Muito dos méritos do filme está em seu elenco. A dupla de protagonistas, formada pelo operador de copiadora Jerry (Shia Labeouf, de “Transformers”) e pela mãe dedicada Rachel (Michelle Monaghan, de “O Melhor Amigo da Noiva”) passa a sensação de incerteza e descontentamento que se espera de duas pessoas envolvidas em sua situação e os coadjuvantes Billy Bob Thornton (“O Homem Que Não Estava Lá”) e Rosario Dawson (“Sin City”) são os agentes que vão dando as explicações para os segredos do filme e explicando porque aqueles dois estão correndo tanto na telona.
Para o bem de quem não quer perder as surpresas do filme, não dá pra revelar muita coisa do roteiro. Apenas que Jerry é um cara comum, que mora mal, tem pouca grana e se relaciona pessimamente com os pais. De uma hora para outra, dois baques: o irmão gêmeo morre misteriosamente e, do nada, ele tem uma fortuna no banco e toneladas de armas no seu apartamento. Do nada, ele começa a ganhar ordens no seu celular, placas, sinais de trânsito e tudo o que for eletrônico para cumprir uma missão inexplicada.
Ao mesmo tempo, Rachel despacha o filho Sam para um recital de música e começa a ganhar as mesmas ameaças misteriosas. Os dois se acham e começam a cumprir a missão. Se você descontar que, do nada, a dupla se transforma em duas armas humanas perigosas e incontidas, vai se divertir bastante. Ainda mais que, aos poucos, se descobre porque exatamente os dois foram “os escolhidos”. Dica: saia do cinema e olhe os originais, pra descobrir de que fonte Spielberg e Caruso beberam para fazer “Controle Absoluto”.
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