16/10 - 09:42 - Grande roteiro e grandes protagonistas em “As Duas Faces da Lei”
Maurício Carvalho
Dois gigantes juntos, dividindo a tela com constância pela primeira vez (apesar da rápida aparição em “Fogo Contra Fogo” e de nunca estarem na mesma cena em “Poderoso Chefão 2”) são o principal chamariz de “As Duas Faces da Lei”. Mas o ótimo roteiro de Russell Gewirtz (“O Plano Perfeito”), a condução segura do diretor Jon Avnet (“Tomates Verdes Fritos”) e o ótimo elenco de apoio, com bons nomes como John Leguizamo, Carla Gugino e até um surpreendente 50 Cent fecham o pacote e valem cada um dos 100 minutos desse filme policial.
Al Pacino e Robert De Niro têm a experiência suficiente para deixar o outro brilhar no momento certo. Duas personalidades fortes que conduzem bem seus personagens. Como o filme se baseia muito nos diálogos e detalhes, dá pra imaginar que atores menos gabaritados colocariam pelo ralo a rede de detalhes que conduzem ao final do filme. Tanto que o filme parece resolvido logo nos primeiros minutos, quando um De Niro aparece em um vídeo de má qualidade confessando seus crimes. O trabalho do espectador, pelo jeito, é descobrir o porquê disso.
Aos poucos somos apresentados a Rooster e Turk, uma dupla de detetives veteranos que enfrenta o crime de Nova York há 30 anos. Já calejados, usam métodos próprios para combater os bandidos, por algumas vezes reprováveis pelo pessoal da nova geração e que leva a cartilha da academia bem a sério. A dupla está envolvida até o pescoço na investigação de um serial killer que está acabando com vários acusados de crimes que, de uma forma ou de outra, estão longe da cadeia.
“As Duas Faces da Lei” é complexo e bem-elaborado, o que afasta alguns espectadores que não gostam de gastar neurônios no escuro. A solução fácil dos primeiros minutos é sempre posta à prova, por vezes reforçando e por outras traçando outros caminhos para as mortes. A avaliação psicológica, as metáforas do esporte (como xadrez e beisebol), as descobertas dos outros policiais e os próprios diálogos entre Pacino e De Niro mantêm o interesse o tempo todo, mas em um nível muito mais mental que de ação desenfreada. Um belo filme, que vale ser visto e compreendido.
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