12/12 - 11:12 - 007 vingativo em “Quantum of Solace”
Maurício Carvalho
Se “Cassino Royale” foi uma reviravolta completa na mitologia de James Bond, “Quantum of Solace” empaca um pouco esses novos ventos. No seu segundo filme como o agente 007, Daniel Craig continua muito eficiente, abusando do físico e se mostrando mais humano do que os intérpretes anteriores. Mas a trama fica muito presa ao filme anterior, traz muitas referências ao amor eterno de Bond, Vesper (Eva Green), que morreu e traiu o agente secreto, complicando quem não acompanhou o filme anterior.
Além disso, as transições são completamente excluídas em nome da ação. O ótimo roteirista Paul Haggis (de “Crash – No Limite”) aboliu muitas explicações do texto para dar tempo para as perseguições e brigas comandadas pelo diretor Marc Forster (“A Última Ceia”), que faz Bond vencer o perigo em carros, barcos e aviões e trocar sopapos em óperas, hotéis baratos e fortalezas no deserto.
A trama de “Quantum of Solace” começa logo após os créditos finais de “Cassino Royale”. Logo de cara vemos o agente sendo perseguido por um carro nas sinuosas ruas de uma cidadezinha italiana. Após se livrar dos bandidos, Bond conduz Mr. White (Jesper Christensen) para um interrogatório. Ele trabalha para uma organização misteriosa e uma traição quase mata M (Judi Dench), que manda Bond ao Haiti procurar respostas.
Mas Bond ainda é um agente em transição e não leva muito jeito pra prender suspeitos. Ele acaba com eles, complicando o próximo passo. Mesmo assim, 007 chega ao megaempresário Dominic Greene (Mathieu Amalric, com ótima interpretação), que esconde negócios escusos por trás de uma empresa pró-ecologia. Entre elas, um golpe na Bolívia. Paralelamente, a bela Camille (Olga Kurylenko) tenta acabar com o ex-ditador General Medrano (Joaquin Cosio) antes que ele assuma o governo.
Muita ação e muita informação faz o espectador perder o fôlego mas entender pouco. A complexidade da relação entre governos, agências de inteligência, bandidos e interessados complica um entendimento mais profundo da trama. Mas a adrenalina é constante e fantástica. Resta saber se a franquia vai continuar com o alto nível, preocupando-se mais com o roteiro. Daí, ficaria perfeito.
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