16/01 - 10:44 - Atualizando o ultimato alienígena
Maurício Carvalho
Em uma época em que bons roteiros são raros e quase todos os livros importantes já tiveram uma adaptação para o cinema, a onda de Hollywood é fazer remakes. Filmes como “King Kong” e “A Pantera Cor-de-Rosa” são dois rápidos exemplos de renovações de filmes famosos, seja para melhorar os efeitos especiais ou aproximar caras conhecidas do público atual. “O Dia em Que a Terra Parou”, em cartaz nos cinemas, junta essas duas tendências, atualizando o clássico de 1951 de Robert Wise com Keanu Reeves liderando os créditos.
Mas a produção capitaneada pelo diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose) muda bastante a história original. Se o primeiro filme era baseado na guerra fria e na falta de entendimento, o atual acusa a humanidade de falta de cuidado com a ecologia e dificuldade em lidar com o diferente. O alienígena que é o arauto da destruição, Klaatu, não parece muito a fim de ver o lado bom dos humanos e a atuação insossa de Reeves é muito culpada por isso.
O grande destaque fica para os efeitos especiais. A onda de destruição e a presença onipresente de Gort, o robô ciclope do armagedon, chegam a assustar na telona. Pena que a frase clássica “Klaatu Barada Nikto”, um dos comandos mais conhecidos do cinema e que trava o ataque letal do gigante de aço, ganha pouco destaque na produção atual.
O foco da produção fica na cientista Helen Benson (Jennifer Connely), especialista em biologia extraterrestre, que é chamada para tentar desvendar a chegada de uma esfera gigante no Central Park, em Nova York. De lá sai um ser estranho, que é baleado na sua chegada e levado ao hospital. Lá, começa a desvendar a sua missão: destruir os humanos e seus traços de civilização para que o planeta sobreviva. Lógico que sua chegada é mal-interpretada pelas autoridades, que tentam prendê-lo e destruir as esferas, sem sucesso.
Mas a doutora Benson e seu filho, o chatinho Jacob (Jaden Smith), procuram mostrar o lado bom dos humanos. Klaatu vai aos poucos descobrindo que os humanos podem mudar caso saibam dos perigos que passam mesmo que seu espírito seja muitas vezes destrutivo.
A adaptação fica aquém do original, muito mais focado e interessante. Mas se o atual servir para correr às locadoras e alugar o DVD, já valeu a pena a volta de Klaatu.
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