O salto do parkour ganha adeptos Com apenas 20 anos de existência, a técnica que mistura esporte, técnica e preparo físico

Quem passa pela Praça do Imigrante, no centro de Novo Hamburgo, nos domingos à tarde, pode achar que tem gente fazendo confusão. Afinal, o que seria um grupo de caras pulando escadas, escalando muros e se pendurando nas proteções de palco do local? Gente brigando? Treinamento de assalto?
Que nada, é o grupo Parkour Novo Hamburgo, que se organizou para treinar junto a técnica de deslocamento criada na França na década de 80. Aos poucos, os poucos saltadores (ou traceurs, para quem está dentro das terminologias) estão atraindo mais parceiros, que hoje formam um grupo de quase 30 praticantes.
Acompanhamos um treino dessa galera em um domingo escaldante de sol. Depois de um rápido aquecimento, para deixar as articulações em dia, começam os treinos pra valer. Sem qualquer equipamento especial, além de tênis, calças e camisetas, os traceurs capricham nos saltos, rolamentos e passagens de um ponto a outro com muita desenvoltura.
Mas afinal, como começou esse movimento por aqui? “Comecei em 2005, vi na internet, me interessei e comecei a procurar outros que gostassem do parkour. Um respondeu, começamos a treinar juntos, logo éramos seis e o grupo só cresceu desde então”, comenta Rafael Valim, 27. Muito disso se justifica pelo clima de companheirismo dos membros. “Quem chega aqui pela primeira vez logo se integra, passamos as técnicas básicas e logo o novato estará ‘parkando’ com os demais”, conta Igor Oliveira, 25, confirmando que depois que se aprende os 10 movimentos básicos, dá pra praticar a disciplina.
Além de desenvolver o físico, o Parkour Novo Hamburgo quer ajudar no conhecimento corporal. “Tanto que fomos convidados pelo Corpo de Bombeiros para passar algumas técnicas para a corporação, para ajudar nos salvamentos e ações do dia-a-dia”, comemora Igor. Mais do que um deslocamento com agilidade e segurança com auto-conhecimento corporal, a prática é um pulo para boas amizades e diversão entre um muro e outro.
Quem faz parte
Os traceurs têm um perfil próprio. A maioria tem entre 18 e 28 anos, vindos das artes marciais ou praticantes de esportes marciais. Mas o parkour abre espaço para gente mais nova, com 13, ou mais experiente, como a única traceuse do grupo, com 39. Apesar da maioria de preocupados com o corpo, alguns saíram do sedentarismo total para os saltos mais arrojados. Confira quem faz parte desse grupo:
Nome Idade Profissão Pratica há... Igor Oliveira, 25, autônomo, 2 anos Rafael Valim, 27, promotor de vendas, 2 anos e meio Álvaro Aguiar, 13, estudante, 10 meses Josué Cassanego, 16, estudante, 10 meses Rômulo de Oliveira, 19, industriário, 2 anos Pedro Cavalheiro, 19, estudante, 5 meses Iso, 23, grafiteiro, 1 ano e 7 meses Carlos Lima, 18, Eletrotécnico, 1 ano e 3 meses Mateus de Oliveira Carvalho, 17, estudante, 1 mês e meio Marcos Aurélio Marques, 32, desempregado, 1 ano e 4 meses Ana Silvia Marques, 39, auxiliar de limpeza, 4 meses Otoniel Rodrigues Muller, 17, comerciário, 1 ano
Contatos Comunidade no Orkut - http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=66441697 E-mail - pkrs.nh@gmail.com Fones – 9914-0356 (Rafael) e 8177-4254 (Igor)
Um pouco de história
O parkour (ou le parlour, como alguns preferem chamar) surgiu na França na década de 80. Criado pelos amigos David Belle e Sébastien Foucan (foto), ganhou esse nome como uma derivação de parcours du combattant, ou percurso do obstáculo. Baseado em uma técnica do início do século, o Método Natural de Educação Física, desenvolvido por Georges Hébert, a técnica mistura esporte e técnicas de escalada para que o praticante possa se deslocar com segurança e agilidade pelos obstáculos que encontra da forma mais rápida possível. Aos poucos os dois amigos se separaram e espalharam a técnica por todo o planeta. Hoje, o parkour é muito popular na Inglaterra e vem ganhando espaço no Brasil, com grupos organizados em São Paulo e Porto Alegre.
Os principais movimentos*
Landing - Amortecimento suave a fim de evitar lesões articulares Balance - Equilíbrio em barras ou muros Cat balance - Equilíbrio em movimento quadrupedal como um gato. Underbar - Passa-se por baixo do obstaculo. Qualquer passagem por frestas também é assim denominado no Brasil Roll - Rolamento evasivo a fim de amortecer, ou criar embalo após um amortecimento Wall Climb - "Chuta-se" a parede de forma que de impulso para cima e agarra-se com a(s) mão(s)e sobe-se o muro. Vault - Termo geral para sobrepor um obstáculo usando um movimento. Dismount - Se saltar de um lugar para cair em outro.
* Preferimos a terminologia em inglês, como é mais conhecida em todo o mundo (fonte – Wikipedia)
A mídia entrega-se
Quem acompanha vídeos e filmes já conferiu que o parkour se incorporou na cultura pop moderna. Filmes como “Ultimato Bourne” e “Cassino Royale” (esse com Sébastien Foucan, um dos criadores da técnica) já mostraram os movimentos dessa prática e até Madonna, em clipes de “Jump” e “Hung Up”, contribuiu para popularizar o esporte. Mas pra aprender, vale a pena conferir os filmes com a presença do clã francês Yamakasi, como “Filhos do Vento” e "Yamakasi - Os samurais dos tempos modernos”, com vários minutos mostrando os saltos e técnicas. E até nas vinhetas do canal pago Fox alguns movimentos são demonstrados.
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