A espera acabou, o Guns está de volta Axl Rose e a nova formação do Guns N`Roses finalmente apresentou Chinese Democracy
Maurício Carvalho
Após 15 anos de espera, finalmente o fã do Guns N`Roses que acreditou na palavra de Axl Rose de que o fraco “The Spaghetti Incident?”, de 1993, não seria o último lançamento da banda, foi recompensado. No dia 23 de novembro, o mundo conheceu “Chinese Democracy”, um dos discos mais demorados, caros, comentados e, em vários momentos, ridicularizado da história do rock.
E o tempo mostrou que os fãs estavam realmente ávidos por novidade. Afinal, se a gente levar em conta que os dois volumes de “Use Your Illusion”, de 1993, marcaram os últimos trabalhos inéditos autorais da banda (o já citado “The Spaghetti...” era uma coletânea de covers), são 17 anos de espera. Nesse meio tempo, Kurt Cobain se matou, novas bandas foram apontadas como salvação do rock, como Strokes, Arctic Monkeys e Killers, as boy-bands caíram no ostracismo, o CD ficou obsoleto. O hard rock que tinha do Guns seu maior representante perdeu força e bandas pesadas como Metallica e Iron Maiden não conseguiram absorver esse público, que migrou para vários estilos, do rap ao indie.
Logo que o CD chegou às lojas, a correria foi total. A página da banda no MySpace foi visitada por 3 milhões de pessoas nas primeiras 24 horas de exibição, um recorde. Foram 25 acessos por segundo. A faixa-título, foi ouvida 826 mil vezes. Agora, duas semanas depois, esse número já cresceu para mais de 2,3 milhões. Os números das vendas de CDs e faixas em MP3 ainda não tinham saído no fechamento dessa edição, mas com certeza devem ser números expressivos, que aumentem os 90 milhões de álbuns já vendidos pela banda desde o inovador “Appetite For Destruction”, de 1987.
Para trabalhar na divulgação, o Guns faz o anti-marketing. Seu site não apresenta uma foto de divulgação, a Geffen, gravadora da banda, divulga parcas informações e a agenda de shows da banda segue uma incógnita. Axl fechou a venda do CD exclusivamente nas lojas Best Buy, nos Estados Unidos, melhorando os rendimentos para sua conta bancária. No Brasil, o CD saiu pela Universal e tem preço médio de R$ 26,90.
Mas com certeza a banda (hoje formada por Axl Rose, Tommy Stinson, Dizzy Reed, Bumblefoot, Chris Pitman, Richard Fortus e Frank Ferrer) ainda vai dar o que falar e pode, no futuro, voltar ao Brasil, com fez em 2001, na terceira edição do Rock in Rio.
A repercussão mundial
Um disco desse porte sempre garante grande repercussão. E, no caso do fabricante de refrigerantes Dr. Pepper, prejuízo. Isso porque a empresa lançou uma aposta de que, se o álbum fosse lançado em 2008, ofereceria um refri para cada americano. Pois não é que a engarrafadora precisou criar um cupom em seu site para que o pessoal ganhasse a bebida? E o Guns não gostou da forma como foi resolvido, pois além de ganhar publicidade em cima da banda, a Dr. Pepper deveria ampliar o período de participação, para que mais gente ganhasse.
Entre os músicos, a manifestação mais interessante foi de James Hetfield, do Metallica. "Certamente vou ouvir o disco. Mas não perdi o sono esperando por ele", brincou o músico em entrevista ao jornal Houston Chronicle. Porém, ele não se espantou pelo tempo demorado para o lançamento. "Eu mesmo achei que a gente levou muito tempo para fazer o nosso álbum (“Death Magnetic”, de 2008, cinco anos após “St. Anger”). Mas, você sabe, ele sempre acaba se atrasando pra tudo. Então até faz sentido", afirmou sobre Axl Rose.
Menos generosos foram os chineses, que não gostaram nada de serem tema do novo disco do GNR. O governo oriental, através de Oin Gang, ministro de assuntos exteriores, criticou a banda de “imatura e barulhenta” e proibiu sua venda em território chinês e acesso ao site oficial da banda, apesar de ainda permitir o acesso através do MySpace. Um mercado a menos para o grupo.
Os destaques do CD
Muito tempo para trabalhar um álbum nem sempre resulta em ótima qualidade. Muita gente passando pela produção, necessidade de modernizar o som e letras que ficam datadas com o passar dos anos acabaram prejudicando um pouco “Chinese Democracy”, que não passa de um bom álbum. Quem assina a produção é Caram Constanzo, que já trabalhou com Pearl Jam e Stone Temple Pilots, entre outros.
Os arranjos muito requintados acabam exagerando o produto final. Tanto que as melhores faixas são aquelas mais diretas, com a banda se esmerando e Axl tirando o melhor do microfone, como na faixa-título e na já conhecida “Shackler`s Revenge”, que entrou na trilha do game Rock Band 2.
Axl tenta algumas pitadas eletrônicas em faixas como “Better” e “I.R.S”, mas fica muito distante do que ele se habituou a fazer e se distancia do resto do disco. Nas baladas, Axl está bem açucarado e acerta a mão em faixas como "Catcher in The Rye", "Sorry" e "This I Love". Só que é uma pena que as músicas lentas sejam as melhores de uma banda que marcou sua carreira por petardos como “Welcome to the Jungle” e “Paradise City”. Quem sabe, com produções mais freqüentes, a veia produtiva volte com mais facilidade.
E cadê os outros músicos?
Longe da parceria com Axl Rose, os antigos membros da formação de ouro do Guns N`Roses se dividem entre bandas, trabalhos solo e recuperações...
Steve Adler O ex-baterista do Guns não esconde sua vontade de voltar à banda. Mas para isso acontecer, precisa se livrar do vício da heroína que lhe causou prisão em julho. No mês passado Adler pediu relaxamento da prisão prometendo se dedicar à recuperação. Segundo seu advogado, ele teria lugar cativo na nova turnê mundial da banda assim que se livrar das drogas.
Slash O guitarrista está se mexendo depois que o Velvet Revolver deu um tempo. Após lançar sua biografia, Slash trabalha em seu terceiro CD solo. Fergie e Ozzy Osbourne já confirmaram participação. O músico de cartola garante estar aliviado com o disco lançado pelo Guns...
Duff McKagan Enquanto Slash se afastou do Velvet Revolver até uma definição, a banda é a principal ocupação do baixista Duff McKagan. Ele está trabalhando nos bastidores vendo a situação do vocalista Scott Weiland, que pode voltar ao Stone Temple Pilots. Ele já tocou algumas jams com Royston Langdon, ex-marido de Liv Tyler e vocalista da Spacehog, que pode reativar a banda a qualquer momento.
Izzy Stradlin Depois de alguns álbuns solo (o último, “On Down The Road, de 2002), Izzy se notabilizou como músico de estúdio e inclusive deu apoio a Axl para a criação das novas faixas de “Chinese Democracy”, apesar de não assinar como membro oficial. Inclusive ele pode participar da turnê como músico convidado.
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