Concorditos, Clakitos e Feevalitos Escolas premiam seus alunos pela produção de vídeos e incentivam novos realizadores e atores
Alexandra Korndörfer
Inspirados pela máxima de Glauber Rocha, "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", jovens cineastas arriscaram-se na sétima arte e produziram curtas que contam desde histórias inspiradas em livros e filmes até documentários sobre problemas sociais. O que começou nas salas de aula, ganhou espaço fora delas, quando o trabalho foi mostrado para colegas, amigos, pais, e até concorreu em festivais de nível nacional. Leia as sinopses de alguns desses curtas, contadas pelos seus protagonistas.
Sátira e muitas risadas com Pascal
Iguatemi Lucio Moreira Neto, 14, é o francês Pascal, famoso ladrão que resolve roubar as jóias da Coroa Britânica. O seu personagem é o vilão da história “Johnny English”, curta produzido junto aos seus colegas do Colégio Concórdia, São Leopoldo, que lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no 7º Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema, de Guaíba. “Foi a primeira vez que participamos de um concurso fora da escola e a gente estava ansioso, nervoso”, conta Iguatemi, que nem pode ficar para a noite da premiação, voltou antes para a escola.
A idéia do curta começou com a leitura do livro “Olhos de Rubi”, de Luís Dill, durante as aulas de português da professora Carla Rosana Gonçalves. “O livro é uma novela policial e a linguagem se aproxima da cinematográfica”, explica a professora. Os alunos produziram roteiros e depois partiram para a captação das cenas. E esta foi a parte que Iguatemi mais gostou. “Teve muita improvisação. O personagem era engraçado e todo mundo ria durante as filmagens. Mas também tivemos brigas... foi durante a edição”, revela Iguatemi, que também destaca o melhor do filme: “São os diálogos”.
Cinema mudo mostra triângulo amoroso
O que era um problema passou a ser uma criativa alternativa para os estudantes do Colégio Luterano Arthur Konrath, de Estância Velha. “A moça, Ele e o Outro” foi feito nos moldes do cinema mudo, inspirado nos clássicos de Charles Chaplin. “Sempre tivemos problema com o som nos anos anteriores. Então decidimos fazer um curta mudo”, explica Matheus Chiste, 18, escolhido melhor ator no festival promovido pelo colégio. O filme ainda levou os prêmios de trilha sonora, fotografia, produção, direção e melhor filme.
Sobre os desafios de fazer uma história sem diálogos, Matheus disse que sua experiência no teatro favoreceu. “Faço parte do grupo de teatro da escola, então tenho facilidade em usar o corpo para me expressar”, explica Matheus. Ele também disse que ficou surpreso com os prêmios que o trabalho conquistou. “Fizemos uma história diferente da maioria. Não era engraçada. Era uma triângulo amoroso, mas muito sutil”. Agora o curta vai concorrer em festivais fora da escola, o que para Matheus não é novidade. O filme que ele participou no ano passado, “Meit”, foi o 2º colocado na categoria ficção no 7º Festival de Guaíba.
Documentando a realidade social
Nada de ficção. Foi a realidade mesmo a inspiração dos cineastas da Escola de Aplicação Feevale, de Novo Hamburgo. Em grupos, os alunos fizeram documentários sobre Anorexia, Trânsito X Álcool, Doação de Órgãos, Adoção, Inclusão Social, Horta Comunitária, Amigos da Alegria, Vida Urgente, Bom Dia (trabalho com crianças em Morro Reuter) e Banda Mirim. As alunas Camila Rambow, Carolina Kayser da Silva, Carolina Sommermayer, Fernanda de Ávila Seger e Vanessa Preussler dos Santos escolheram a Anorexia como assunto, depois que descobriram que uma colega estava com a doença. “C.O.M.P Comer o Menos Possível” partiu dos seus depoimentos, mas contou também com informações dadas por profissionais que auxiliam no tratamento. Além de discutir o assunto, se informar sobre o tema, o trabalho das alunas foi escolhido como o melhor documentário pelo Júri Técnico, Popular e Jovens Documentaristas e recebeu os prêmios na noite de encerramento do Projeto Outros Olhares.
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